Comissão conclui que JK foi assassinado pela ditadura e derruba versão oficial após quase 50 anos

Foto: Gervásio Baptista/Agência Brasil


Relatório aponta fraude em perícias, perseguição política e conclui que a morte de Juscelino Kubitschek foi responsabilidade do Estado brasileiro

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu nesta sexta-feira (29) que o ex-presidente Juscelino Kubitschek não morreu em um acidente de trânsito, como sustentava a versão oficial desde 1976. Por maioria dos votos, o colegiado aprovou um relatório que atribui a morte de JK à ditadura militar e reconhece a responsabilidade do Estado brasileiro no caso.

A decisão substitui oficialmente a narrativa que vigorou por quase cinco décadas e determina a alteração do registro de óbito do ex-presidente para incluir a expressão “morte causada pelo Estado”.

O documento, com mais de mil páginas, sustenta que JK foi alvo de perseguição política sistemática após o golpe militar de 1964. Segundo a comissão, sua popularidade e a possibilidade de retornar ao poder fizeram dele um adversário considerado perigoso pelo regime.

O relatório afirma ter identificado 37 irregularidades e fraudes nas investigações realizadas à época. Entre elas, alterações na cena da morte, inconsistências em laudos periciais e contradições em registros oficiais.

Os investigadores também apontam que Juscelino teria sofrido ameaças constantes antes de morrer. O documento cita supostos planos para eliminar adversários políticos do regime e afirma que havia sinais prévios de que um atentado poderia ocorrer.

A conclusão contraria a versão apresentada pela Comissão Nacional da Verdade em 2014, que havia mantido o entendimento de que JK morreu em decorrência de um acidente automobilístico na Via Dutra, em agosto de 1976.

Apesar do novo parecer, a família do ex-presidente informou que não pretende dar continuidade às investigações. Ainda assim, parentes de JK classificaram a revisão histórica como um passo importante para o esclarecimento dos fatos e para a preservação da memória democrática do país.

Juscelino Kubitschek governou o Brasil entre 1956 e 1961 e entrou para a história como o presidente responsável pela construção de Brasília. Após o golpe militar, teve seus direitos políticos cassados e passou anos afastado da vida pública.

Quase meio século depois de sua morte, a nova conclusão da comissão reacende um dos debates mais emblemáticos da história política brasileira: se o ex-presidente foi vítima de um acidente ou de uma ação deliberada da ditadura militar.

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