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Escritora e cineasta franco-iraniana faleceu aos 56 anos; obra transformou experiências pessoais sob a Revolução Islâmica em referência mundial da literatura gráfica
A escritora, ilustradora e cineasta Marjane Satrapi morreu aos 56 anos. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (4) pela agência France-Presse (AFP), que citou pessoas próximas à artista. Em nota, familiares afirmaram que Satrapi não conseguiu superar a morte do marido, o produtor e roteirista sueco Mattias Ripa, falecido em abril do ano passado.
Reconhecida internacionalmente por sua atuação artística e política, Satrapi ficou mundialmente conhecida pela graphic novel Persépolis, obra autobiográfica em que narra sua infância e adolescência no Irã após a Revolução Islâmica de 1979. O livro se tornou um fenômeno editorial, foi traduzido para dezenas de idiomas e posteriormente adaptado para o cinema.
A animação baseada na obra recebeu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes, em 2007, além de conquistar importantes premiações internacionais. O trabalho ajudou a apresentar ao público ocidental uma visão crítica e humanizada da realidade vivida por milhares de iranianos sob o regime teocrático.
Nascida em Rasht, em 1969, e criada em Teerã, Satrapi deixou o Irã ainda adolescente para estudar na Áustria. Anos depois, estabeleceu-se definitivamente na França, onde desenvolveu a maior parte de sua carreira artística e conquistou a cidadania francesa.
Ao longo da vida, tornou-se uma das vozes mais conhecidas da oposição ao regime iraniano. Em 2025, recusou receber a Ordem Nacional da Legião de Honra, a mais alta condecoração da França, em protesto contra a política francesa em relação aos dissidentes iranianos.
Além de Persépolis, deixou obras marcantes como Frango com Ameixas, Bordados e a graphic novel Mulher, Vida, Liberdade, inspirada nos protestos que tomaram o Irã após a morte de Mahsa Amini em 2022.
Considerada uma das artistas mais influentes de sua geração, Marjane Satrapi transformou experiências pessoais em narrativas universais sobre liberdade, identidade, exílio e resistência política.
